CMAR – Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento

Objetivo:
O objetivo desse artigo é orientar os profissionais da área da construção civil sobre o emprego correto dos materiais de acabamento e revestimento nas edificações, tomando como base a legislação vigente do principal órgão fiscalizador que é o Corpo de Bombeiros da Policia Militar do Estado de São Paulo – CBPMESP.

A Importância do CMAR:
Eu poderia lhe dizer que ocupantes de uma edificação em situação de incêndio não iria a óbito apenas por queimaduras geradas pelo calor do fogo, porque a fumaça desprendida pelos materiais de acabamento e revestimento é um dos fatores que também contribui para a geração de vítimas fatais em incêndios.
Tomando como referencia a tragédia na boate Kiss, podemos confirmar o perigo que a fumaça oferece aos ocupantes. Segundo pericia, quase todas as mortes causadas dentro da boate tiveram como causa a asfixia. A espuma de isolamento acústico que revestia o teto e algumas paredes da Kiss foi apontada pela polícia, como uma das protagonistas na tragédia. O material, feito de poliuretano, liberou gases tóxicos durante a queima, esses gases foram os causadores da morte por asfixia de pelo menos 234 das 241 vítimas, conforme os laudos da necropsia. (Portal G1). Podemos chegar à conclusão que mais da metade das vitimas fatais da boate foi por inalar fumaça tóxica.
É para evitar essas tragédias que os profissionais de engenharia e arquitetura precisam ter o mínimo de conhecimento para aplicar o material correto na edificação.

Qual é o Material Correto?
Antes de aplicar o material é preciso saber pra que se destina tal edificação, de acordo com a ocupação/uso do local é possível através do Decreto Estadual 56.819/2011 classificar o edifício em grupos (1) e, divisão dos grupos (2).

Decreto Estadual 56819

Parte da Tabela 1 do Decreto Estadual 56819

 

Após saber o grupo da edificação e sua divisão é possível saber quais as características específicas que o material a ser aplicado deve ter. Para simplificar o processo, é preciso apenas empregar o material que atenda a classe requisitada na tabela B1 da instrução Técnica n° 10/2011 CBPMESP.
As classes são: Classe I, II-A, III-A, IV-A, V-A e Classe VI.

 

A tabela acima mostra os Grupos/Divisão e as classes que o material deve possuir para o emprego no Piso (1), Parede (2) e Teto (3).

O que Significa a Classe do Material?
A Classe indica a combustibilidade (1) do material, o índice de propagação superficial de chama (2) e densidade ótica de fumaça (3).
Por exemplo, se o material possui Classe II-A significa que é um material combustível, que tem índice de propagação de chamas menor que 25 e densidade ótica de fumaça menor que 450.

Tabela A2 da Intrução Técnica

Tabela A2 da IT N° 10 do Corpo de Bombeiros

 

Como Saber a Classe de um Determinado Material?
A Classe do material é obtida em laboratório através de ensaios específicos conforme métodos estabelecidos pelas normas ISSO 1182, NBR 9442 e ASTM E662.
O fabricante do material fornece o laudo afirmando pelo laboratório a classe correspondente aquele material especifico. O laboratório mais aconselhável é o do IPT.

Parte do Laudo de Um Material de Acabamento

Parte do Laudo de Um Material de Acabamento Fornecido Pelo IPT

 

Qual é a Função do Profissional de Engenharia e Arquitetura Na Aplicação do CMAR?
O profissional precisa estar presente em duas etapas, são elas: Projeto e Execução.
O profissional que elabora o projeto arquitetônico executivo precisa indicar na planta e nos cortes qual a classe de material correta a ser empregada de acordo com a ocupação ou uso da edificação, respeitando as legislações e normas vigentes à época.
O Profissional que executa as instalações precisa seguir o projeto instalando um material que atenda a classe indicada, tem que emitir uma ART de instalação e arquivar juntamente com o laudo do IPT do material e nota fiscal de compra. O Conjunto dessas documentações irá fazer parte do processo para obtenção do AVCB e serão apresentadas ao CBPMESP durante a vistoria do local.

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